Para todas as estações, Beer Tour da Itaipava e papo 100% cervejeiro

Se você tomou cerveja alguma vez na vida, com certeza já bebeu do estilo American Lager. A convite do Grupo Petrópolis nosso blog participou de um Beer Tour pelas dependências da fábrica da Itaipava, em Itapissuma-PE. A visita rendeu a oportunidade de conhecer todo o processo de fabricação da cerveja considerada o símbolo do verão – tal qual a modelo Aline Riscado das propagandas televisivas. Na oportunidade, conversamos com o mestre cervejeiro Leonardo Penna e batemos um papo 100% cervejeiro. Penna respondeu sobre esse estilo tão consumido no mundo e também tão criticado por cervejeiros mais exigentes.

Viver em um país super quente, mais precisamente no Nordeste brasileiro onde as temperaturas atingem facilmente os 40º graus, é que dá para facilmente entender como a Itaipava é uma das principais escolhas em qualquer esquina, bar ou boteco no Brasil. O fator refrescante é a chave do sucesso. Pois é, nesse ponto todo apreciador de cerveja especial e artesanal tem que dar o braço a torcer, no calor não há como negar uma breja estupidamente gelada e objetivamente barata.

“Acredito que tem mercado para todo mundo. Eu mesmo adoro uma Double IPA [breja que leva duas vezes mais lúpulo], mas sejamos sinceros, esse é um volume que iria agradar a grande maioria do público brasileiro? Acredito que não. O que tem que ficar é a qualidade e, qualidade para uns é uma cerveja amarga, mais turva, mas que não é atributo de qualidade para outro que acha pesada e que prefere uma cerveja leve, refrescante e sem muito compromisso”, explica Leonardo Penna, mestre cervejeiro do Grupo Petrópolis.

Mestre cervejeiro Leonardo Penna conversou com o nosso blog durante o Beer Tour (Foto: Milton Rodrigues / Breje-se!)

Desenvolvida em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, a Itaipava tem participação cada vez maior no mercado nacional, por isso sua expansão para o Nordeste acirra o mercado de disputa com outras gigantes nacionais como a Brahma e Skol. Inaugurada em 2015, com um aporte financeiro de R$ 600 milhões, a fábrica pernambucana tem capacidade de produção de 6 milhões de hectolitros de cerveja por ano e gera pouco mais de 9 mil empregos diretos. A indústria, atende tanto o estado de Pernambuco como Alagoas, Ceará, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte.

Chope sendo servido direto da fonte em Itapissuma (Foto: Milton Rodrigues / Breje-se!)

Durante o Beer Tour proporcionado pelo Grupo Petrópolis, pudemos acompanhar de perto todo o processo produtivo: desde o estoque das matérias-primas (como o malte oriundo da Argentina e Uruguai) até o processo final de envasamento para latas ou garrafas. Ao todo, 68 mil garrafas são embaladas por hora. No dia da visita, boa parte das latas e garrafas estavam sendo estocadas de modo a atender o mercado consumidor que aumenta com a chegada do verão. A estação por si só explica o êxito da cerveja e do marketing da empresa.

American Lager

As conhecidas lagers americanas são um desmembramento da família Pale Lager (cervejas de baixa fermentação e de cor bem clara), produzidas originalmente na Europa. Elas se tornaram populares nos Estados Unidos e no Brasil com a chegada de imigrantes alemães, em meados do século 19. Com a ausência de cultivo de cevada para o malte nessas regiões – a cevada é um cereal sensível ao calor e o Brasil é um país tropical – os produtores utilizavam cereais não maltados, o que barateou os custos e tornou a cerveja acessível e bastante popular. Graças ao preço cobrado, o estilo se tornou o mais produzido do mundo.

(Foto: Milton Rodrigues / Breje-se!)

Mas espera aí, neste ponto reside a polêmica no universo cervejeiro. Se o malte pode ser substituído por outros cereais, como o milho e arroz, por exemplo, a alteração – no Brasil, a legislação permite que as cervejas tenham até 45% desses cereais na composição total dos ingredientes – lesa o consumidor e faz a cerveja perder em qualidade?

“O uso do milho como qualquer outro tipo de adjunto não lesa o consumidor, nem na questão de saúde, o que lesa o consumidor é haver um engano, você falar que o seu produto é puro malte e ele não ser, ou mesmo se você fizer uma cerveja especial que leva centeio e não colocar ele”, garante Leonardo Penna.

(Foto: Milton Rodrigues / Breje-se!)

O mestre cervejeiro do Grupo Petrópolis explica ainda que uma cerveja puro malte possui sabor mais elaborado, mas isso não se traduz novamente em fator de maior superioridade do produto.

“Como a gente trata as nossas matérias-primas e como executamos o processo e as pessoas envolvidas é que são o fator determinante. Eu posso colocar uma pessoa para fazer uma receita de puro malte e botar outras para fazerem também e todas vão ter resultados diferentes”, salienta.

Se a grande polêmica fica no âmbito dos cereais não maltados, Penna explica ainda que outras grandes cervejarias também optam por utilizar diferentes ingredientes: “Alguns países utilizam açúcar, por exemplo. Tem estilo japonês de cerveja Lager, seca, leve e refrescante que se usa arroz, aveia e outros tipos de cereais não maltados. O uso de cereais diversos, sejam eles maltados ou não, tudo depende do propósito da cerveja, do propósito do produto e do público direcionado”, conclui.

Milho é herói ou vilão?

O  milho é um cereal que tem origem na América tropical, vindo a se adaptar a quase todos os climas quentes. Nesse cenário, os Estados Unidos se tornaram os maiores produtores e o Brasil o terceiro colocado no ranking (segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA). Como quase todo o malte é importado, pela dificuldade de produção em solo brasileiro, a compensação com o milho se torna um recurso utilizado pelas cervejarias. No caso da Itaipava especificamente, ainda segundo Leonardo Penna, não há milho na cerveja, o que se usa são outras fontes de carboidratos.

Cerveja do tipo Premium

Outra dúvida recorrente de quem bebe cerveja é a rotulação por Premium. No caso do Grupo Petrópolis, fomos apresentados a uma versão da Itapava Premium. A diferença, segundo definição do livro Larousse da Cerveja, está na adição de mais malte de cevada e o uso menor de até 25% de adjuntos em sua composição (os tais cereais não maltados). Uma breja Premium, por exemplo, não conta com nenhum tipo de conservante ou aditivo químico na composição. De acordo com dados do grupo Petrópolis, o segmento Premium cresce 41,5%, sendo que a Itaipava Premium cresceu 61% somente no último ano. A marca é a terceira mais consumida do Brasil e a segunda do Nordeste.

Itaipava Premium e Black Princess apresentadas durante a visita (Foto: Milton Rodrigues / Breje-se!)

Fora a Itaipava, o Grupo Petrópolis detém direitos sobre as marcas de cervejas especiais Weltenburger Kloster (alvo de nossa postagem), Petra e Black Princess. De acordo com o departamento de marketing do grupo, possivelmente uma quarta marca pode vir a entrar no mercado em um futuro próximo. O nome, porém, não foi antecipado.

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3 comentários em “Para todas as estações, Beer Tour da Itaipava e papo 100% cervejeiro

  1. Faltou dizer se esse “passeio” na fábrica é aberto ao público, para conhecer e saborear as cervejas produzidas.. Um “beer tour”…

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